Foi uma meditação com uma mensagem simples e breve: “A sabedoria está na energia de tudo o que há, na luz do todo criado.” Acessível a qualquer um, não guarda segredos, nada está oculto. Como uma biblioteca sem fim, sem paredes a limitá-la, sempre aberta, onde todos são bem-vindos e não há privilegiados.

E é na luz que a beleza, a benevolência e a sabedoria habitam e nos tornamos conscientes de sua grandeza em nosso observar cuidadoso e sensível, quando exalamos de nós mesmos esse manto reluzente e delicado, com matizes infinitos e complexos e, ao mesmo tempo, singelos e unos, que se transmuta naturalmente em palavras, em poesia e que tentamos ingênua e avidamente capturar, como crianças perseguindo borboletas na branca neblina da manhã.

As palavras se apresentam a nós soberanas, sem a pretensão de serem interpretadas, analisadas, ressignificadas, questionadas, comparadas — pensadas. Palavras não pensam, existem em si mesmas, vivem. Nós as experenciamos em nossos corações para que se revelem claras e cristalinas em sua essência, em seu significado, que compreendemos na medida exata do nosso momento evolutivo, do que necessitamos saber.

A sabedoria está na energia de todas as coisas, pessoas, gestos, sons, no ar que respiramos. Somos luz, poesia e música de um saber benevolente que se autorrevela nos reflexos que cria e na alegria dessa sua dança de espelhos que anima nosso inteiro viver.

Maristela Rohenkohl

Novembro 14, 2020.

Imagem: Chasing Butterflies, by Laurie Justus Pace

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