Por vezes nos sentimos como que suspensos, sem nos mover, no vazio de uma espera ou de um adeus. Permanecemos quietos, aguardando um aceno, talvez, enquanto a vida segue a embalar as folhas na floresta, as nuvens no céu e as ondas no mar.

Foi assim que aconteceu em uma visualização durante o processo do InStory Way, com Devorah Spilman, na última semana:

O cenário inicial descortinava-se em uma pequena e deserta baia tropical, com uma floresta exuberante que avançava até a praia e, bem à frente, ao longe, uma montanha muito elevada, com um pico nevado, que contrastava com a paisagem luxuriante aos seus pés. Eu apenas flutuava envolvida pelas águas calmas desse mar tropical, enquanto os raios de um Sol matinal aqueciam meu corpo e meus olhos, doando-se em um ritual de cura ancestral.

Perguntei, então, ao Sol qual seria sua mensagem, e uma imagem veio a mim sem demora, como resposta. Era a metáfora de um pequeno veleiro à beira-mar. Mesmo com suas velas infladas pela brisa, esse pequeno barco não conseguia avançar. As fortes ondas impulsionadas pela maré não o permitiam mover-se e ele permanecia ali, cavalgando ondas no mesmo lugar, em silêncio, parecendo simplesmente aguardar.

Um instante se passou e a visão se traduziu em palavras e compreendi que seria necessária a mudança da maré para o pequeno veleiro prosseguir em sua jornada. As marés vêm e vão à beira-mar, num respirar em ciclos lunares eternos e harmônicos, como a própria vida. E o mar, inclinando-se à Lua, não tardaria a recolher sua maré, abrindo-se ao pequeno barco, permitindo-lhe avançar e seguir seu próprio curso.

A brisa, por sua vez, soprava alegremente as velas do pequeno veleiro, assim como o espírito sussurra em nossos ouvidos verdades que nos guiam e movem porque as acolhemos em inspirações.

Assim, é nessa aliança entre o espírito dos ventos e o movimento das marés, quando a inspiração e o acolhimento se alinham naturalmente, através da abertura ao original e profundo, que o pequeno veleiro encontra o movimento em seu próprio meio e o meu verdadeiro ser revela-se em sua intuitiva e natural prosperidade.

Maristela Rohenkohl

Agosto 04, 2020.

Imagem: Seascape with Sailboat, by Irina Sztukowski

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