Com a maré da manhã surgiu no céu uma lua.
De lá desceu e fitou-me.

Como o falcão que arrebata o pássaro,
Essa lua agarrou-me e cruzou o céu.
Quando olhei para mim, já não me vi:
Naquela lua meu corpo se tornara,
Por graça, sutil como a alma.

Viajei então em estado de alma
E nada mais vi senão a lua.
Até que o segredo do saber divino
Me foi por inteiro revelado:
As nove esferas celestes fundiram-se na lua
E o vaso do meu ser dissolveu-se inteiro no mar.

Quando o mar quebrou-se em ondas,
A sabedoria divina lançou sua voz ao longe.
Assim tudo ocorreu, assim tudo foi feito.

Logo o mar inundou-se de espumas,
E cada gota de espuma
Tomou forma e corpo.

Ao receber o chamado do mar,
Cada corpo de espuma se desfez
E tornou-se espírito no oceano.

Sem a majestade de Shams de Tabriz
Não se poderia contemplar a lua
Nem tornar-se mar.
"A Lua de Tabriz",
Jalâl ad-Din Rûmî
Tradução de José Jorge de Carvalho

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